A PAIXÃO É UMA LUZ QUE PISCA
Azul. Amarelo. Verde. Vermelho.
Fúcsia. Preto. Branco. Dourado. Prata. Roxo. De repente, não mais que de
repente, uma luz começa a piscar ao seu lado, intermitente. De início, pisca de
maneira assistemática, você nem se dá muito conta de que ela acende/apaga a
intervalos irregulares, de quando em vez. Você está ali, na fila do banco, na
padaria, vendo um jogo com os amigos, estudando, em casa lavando louça e ela
acende/apaga, rapidamente. Quando você percebeu, ela já sumiu. E uma hora
dessas, de novo, vai acender, pra pegar você, no contrapé.
Aí depois ela vai ficando mais
presente, mais forte, mais intensa. Há mesmo um momento em que ela vai piscar
tanto, que parece acesa perenemente. E você não vai poder ignorá-la, porque não
quer ignorá-la. Na verdade, é você quem a faz piscar assim. Foi você quem
pediu; foi você quem causou isso. Ela é apenas fruto dos seus desejos, das suas
carências, das suas vontades, do seu coração. Ela pisca, pisca, pisca, porque
atende ao seu comando; e na velocidade que você determina.
Depois, fica mais regular. E vai
acompanhar você durante todo o seu dia e noite. Regularmente, vai piscar ao seu
lado, vai se fazer presente nos mais distintos momentos da sua vida prática. Na
escola, na faculdade, no trabalho, na igreja, nos eventos sociais, no cinema,
no banco da praça, lendo um livro, revista, jornal, vendo a internet, no
celular. Ela sempre, ela lá.
E ela pisca porque dentro dela está
alguém. Alguém que você conheceu um dia, de maneira planejada – ou não. Alguém
que cruzou seu caminho, ou que você, conscientemente, fez que cruzasse. Alguém
que, agora, caminha com você, uma presença fosforescente, ali, ao lado,
acendendo/apagando, para fazer você nunca esquecer que ela vibra, viva, na sua
cabeça, no seu corpo e no seu coração.
Você será capaz de fazer tudo o que
precisa fazer, durante o seu dia útil. Será capaz de tomar todas as decisões
importantes que precisa tomar. De praticar todas as ações que precisa praticar
para dar seguimento à sua existência. Mas, agora, não estará mais sozinho. A
vida é sua, os passos são seus, as ações são suas, mas uma coisa, externa a
você, pulsa e impulsiona, como uma manivela. E a pessoa está lá, ao seu lado, a
brilhar, acender/apagar, apagar/acender, como um farol, como um vaga-lume, como
um smartphone. Está lá com sua presença/ausência, que faz você se sentir,
enfim, tão bem.

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