UMA NOVA DIÁSPORA
Sempre que leio matérias
acerca das novas oportunidades de trabalho, de fixação de pessoas nas cidades
do interior do Brasil faço, imediatamente, a conexão com as diásporas. Acabei
de ler uma, no site do Yahoo!, sobre uma nova pesquisa encomendada pela revista
Você para a FGV, que apontou as “100 melhores cidades para se fazer carreira”
e, óbvio e ululante, como diria Nelson Rodrigues, que as cidades ditas médias
estão entre elas.
A matéria elenca
uma série de razões para as pessoas fazerem a escolha de deixar uma vida em
grandes centros, como São Paulo e as demais capitais urbanamente urbanas, e
rumar para cidades de 500 mil habitantes para baixo: busca por uma melhor
qualidade de vida; tentativa de se livrar da tirania do relógio; possibilidade de
viver mais tranquilamente, tendo tempo para fazer aquilo de que se gosta e/ou
necessita; condição efetiva de fazer o salário render mais, por conta do custo
de vida, que é menor; necessidade de criar os filhos longe dos problemas comuns
das megalópoles, que não valem a pena aqui enumerar; etc.
Mas este tema da
diáspora (porque, sim, são muitas pessoas hoje fazendo isso, o que nos permite
aplicar a metáfora da diáspora) me traz à nossa realidade imperatrizense: nem é
preciso ter muita perspicácia para perceber a quantidade de gente que chegou a
Imperatriz, para ‘fazer a vida’, nos últimos tempos – e nem estou chamando
assim a época da abertura da Belém-Brasília, não, este é um primeiro ciclo
migratório; estou falando é dos últimos dez anos. É muita gente, de todos os
cantos do país. Isso se reflete nos sotaques, no tipo físico, na indumentária,
nas placas dos carros, no estilo de música que sai deles, na comida, no nome
dos estabelecimentos comerciais etc. Nesse sentido, Imperatriz é uma babel...
E existe ainda uma
subespécie de diáspora: são aquelas muitas e muitas pessoas que, não tendo
condições de fixar residência por aqui, ficam ‘indo e vindo’ sistematicamente
(por semana, por quinzena, por mês), e acabam dividindo a vida: parte por aqui
e parte onde moram, de fato. Um exemplo cabal são os três ônibus que saem,
diariamente, para São Luís à noite, fora os que saem de dia, as rotas de avião
e a do trem.
Claro que morar
aqui vale muito mais a pena que morar em um centro maior, se você tem um bom
emprego, uma estimativa de durabilidade e ascensão na carreira profissional:
aqui tudo é mais perto, a vida é um pouco mais sossegada, essas coisas. Porém,
ao contrário das matérias que leio sobre esse êxodo para as minicidades, nós
ainda sofremos com a falta de serviços de melhor qualidade, com a escassez de
oportunidades de lazer e entretenimento, com a parca infraestrutura de serviços
públicos, com o caos no trânsito e a falta de segurança, só para citar os problemas
mais ostensivos. Tudo isso precisa melhorar – em alguns aspectos, muito! – para
que tenhamos em Imperatriz o mesmo cenário dos depoimentos felizes dos
personagens das matérias, que dizem estar plenamente satisfeitos com as
escolhas e as trocas de urbes que fizeram, porque, na nova vida, quase nada
lhes falta.
Aqui ainda falta
muita coisa. Talvez sobre esperança de que tudo melhore a olhos vistos.

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