TROCAS
Não tinha seis meses que estavam casados,
e Estela conheceu Pablo no aeroporto. Era um domingo de tarde, ela esperava o
voo para uma reunião em Brasília, quando ele passou e perguntou as horas. Desviou
os olhos da revista, buscou o celular e disse ‘três e cinquenta’. Olhou para
ele, para dar a resposta, e viu aquele homem loiro e muito branco, que sorria
um sorriso de agradecimento.
Quarenta e cinco minutos depois,
estavam na mesma fileira do avião. Pablo era publicitário e ia participar de
uma concorrência do governo federal para uma campanha contra a violência
doméstica.
Desceram juntos. E juntos pegaram o
táxi para o mesmo setor hoteleiro da capital federal. Ficaram em hotéis bem
próximos. Meia-noite, depois de jantarem juntos, estavam na cama.
Estela foi noiva de Ricardo por
sete anos, até que ele a deixou por uma colega do trabalho. Depois que o
romance com a colega deu em nada, Ricardo voltou com toda a carga para
reconquistar Estela. Para isso, fez mil e uma loucuras e duas mil e duas promessas.
Até que Estela cedeu. O casamento foi feito em menos de três meses, uma
cerimônia simples, mas com vestido e festa.
Ricardo era corretor de imóveis,
Estela era fisioterapeuta, mas tinha feito um concurso público e agora
trabalhava no Ibama. Ganhava mais como fiscal de madeira extraída do que
ganharia como fisioterapeuta.
Estela não teve nenhum remorso
quando chegou em casa, depois dos três dias em Brasília, trabalhando e amando
Pablo, depois do expediente. Ela só lembrava de Ricardo quando tinha que ligar,
depois do jantar, para falar do dia e cumprir os rituais do casamento, do outro
que está a distância.
De certa forma, ela se sentia
vingada agora do que Ricardo fez.
O romance com Pablo ainda durou uns
seis meses, até Estela se apaixonar por um colega recém-chegado, que ficou
excedente do concurso que ela fez.

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