sábado, 6 de fevereiro de 2016

UM POEMA:












A DELICADEZA DA PEDRA
Há, sim, uma delicadeza na pedra
No seu tecido rugoso e maltratante
Na sua arquitetura grotesca
Nos seus sulcos, naturais ou feitos a faca, ferro, bala ou máquina.
A pedra guarda suor de corpos,
Guarda pegadas de bichos,
Líquidos oriundos de órgãos genitais,
Sangue e algum resquício de pele.
A pedra está sempre, não tem idade
Não tem face,
Só tem uma forma que nos esmaga, se vacilamos
A delicadeza da pedra está, justamente, em ser tão dura,
Tão feia, tão pura.
Está em não se integrar ao mundo,
Em ver o mundo passar, incólume.

(Porto Alegre, tarde chuvosa, 15.01.15)


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