Parabéns,
Papete; obrigado, Papete
Você já ouviu falar de Papete? É
provável que, se você fizer essa pergunta a um jovem de uns 20-25 anos, ele dirá
que não. Então, quero começar este texto apresentando a você, que desconhece,
quem é ele (as informações estão na Wikipedia). Papete é o nome artístico de
José Ribamar Viana, maranhense de Bacabal, nascido em 8 de novembro de 1947. Músico,
compositor, arranjador, produtor, e pesquisador musical. Exímio percussionista,
foi eleito, na década de oitenta, um dos três melhores percussionistas do
mundo. Já tocou com os grandes cantores da MPB, como Chico Buarque, Paulinho da
Viola, Almir Sater, Rita Lee, Vinícius de Morais, Toquinho e muitos outros. Na
sua discografia, estão relacionados nada menos que dezoito discos – a imensa
maioria dedicada aos ritmos do Maranhão. Papete talvez seja, junto com Alcione
e Zeca Baleiro, o artista maranhense mais (re)conhecido (inter)nacionalmente. Mas,
diferente dos dois primeiros, é o que mais canta as coisas daqui.
Experimente colocar “Papete” no
Youtube. Pronto: você vai ter uma bela amostra do talento, da obra e da
musicalidade deste grande artista.
Pois agora Papete nos presenteia
com mais uma linda inciativa. É dele o projeto, recém-lançado, “Os Senhores Cantadores,
Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do MA”, um resgate desses grandes personagens,
que entoam as toadas e dirigem as brincadeiras, nos vários sotaques. João Chiador,
Humberto de Maracanã, Chagas, Lobato, Concita,
Leonardo, Donato, o imortal Coxinho e tantos outros ícones do
Bumba-meu-Boi tiveram suas histórias e memórias contadas neste documento – um
misto de textos, fotos e vídeos, um capricho para a divulgação e manutenção
dessa que é a principal brincadeira da cultura popular maranhense.
O projeto teve o apoio da Caixa Econômica Federal
e Cemar (via Lei Estadual de Incentivo) e do Ministério da Cultura. E está
sendo distribuído em escolas, universidades e para os representantes da cultura
popular do Estado e consulados. O lançamento do álbum foi feito no dia 26 de
maio, no Teatro Arthur Azevedo, com entrada trocada por 1 kg de alimento não
perecível.
O trabalho de Papete, na minha humilde opinião,
tem uma dupla importância. Primeiro: presenteia o público, principalmente o
maranhense, com a produção de um artista que aplica primor, talento e arte em
tudo o que faz – só por isso, então, já merecia ser lido/visto/ouvido. Segundo:
ele é um resgate, até agora único, original e necessário, dos cantadores e amos
de boi. Essas figuras, nascidas, criadas e vividas no seio das comunidades,
que, via de regra, lutam sem apoio para tocar as brincadeiras, homens e
mulheres fortes, lideranças natas. E que morrem, em geral, pobres e esquecidas,
apenas reverenciadas pelos mais próximos. Que o diga Coxinho. (Quem????)
Por isso e por muito mais, resta dizer: parabéns
e obrigado, Papete. E que a sua iniciativa abra um rastro para outras novas. Em
memória, respeito e reverência de quem, realmente, faz a cultura do Maranhão
ser o que ela é.

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