quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Resenha:

A VERVE LITERÁRIA


Fui eu quem disse ao Henrique, depois que li a sua tese “Uma athenas equinocial...”: “Teu texto é bom, devias escrever crônicas, sair um pouco da academia”. Foi assim ou algo assim. E não estava fazendo um elogio; estava reconhecendo que, no que ele fazia, havia um “algo mais”, um “cheiro” de literatura, uma forma de se expressar diferente da dureza da linguagem que, em geral, a gente emprega para falar no ambiente científico, entre citações, referências, notas de rodapé e elucubrações. E o tempo foi provando que eu estava certo.

Depois veio o “Versura” e seus textos; no início, exercícios, um estilo meio estrangeiro, titubeante, que, com o tempo, com as experimentações e a liberdade que o formato “blog” permite e com os incentivos, foi se aperfeiçoando. Crônicas, artigos, pensamentos, poemas... um balaio de literatura, um mural das análises, a quente mesmo, de um arguto observador da paisagem da sua cidade e do seu mundo – o que me faz lembrar Tostói: “Para ser universal, basta falar de sua aldeia”.

Este livro é, dessa forma, um apanhado do que foi publicizado, antes, pelo espaço do blog, nos mais diferentes gêneros. É uma espécie de “colheita”, que o autor faz para oferecer a quem, como ele, como eu e como muitos outros, se alimenta de uma expressão bela de dizer as coisas. Afinal, o que mais é a literatura senão isso?

Bom desfrute!

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