A VERVE LITERÁRIA
Fui eu quem disse ao Henrique,
depois que li a sua tese “Uma athenas equinocial...”: “Teu texto é bom, devias
escrever crônicas, sair um pouco da academia”. Foi assim ou algo assim. E não
estava fazendo um elogio; estava reconhecendo que, no que ele fazia, havia um “algo
mais”, um “cheiro” de literatura, uma forma de se expressar diferente da dureza
da linguagem que, em geral, a gente emprega para falar no ambiente científico,
entre citações, referências, notas de rodapé e elucubrações. E o tempo foi
provando que eu estava certo.
Depois veio o “Versura” e seus
textos; no início, exercícios, um estilo meio estrangeiro, titubeante, que, com
o tempo, com as experimentações e a liberdade que o formato “blog” permite e
com os incentivos, foi se aperfeiçoando. Crônicas, artigos, pensamentos,
poemas... um balaio de literatura, um mural das análises, a quente mesmo, de um
arguto observador da paisagem da sua cidade e do seu mundo – o que me faz
lembrar Tostói: “Para ser universal, basta falar de sua aldeia”.
Este livro é, dessa forma, um
apanhado do que foi publicizado, antes, pelo espaço do blog, nos mais
diferentes gêneros. É uma espécie de “colheita”, que o autor faz para oferecer
a quem, como ele, como eu e como muitos outros, se alimenta de uma expressão
bela de dizer as coisas. Afinal, o que mais é a literatura senão isso?
Bom desfrute!
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