DIPLOMA QUE TRANSFORMA
Sim,
somos no Brasil uma sociedade meritocrática. Por meritocracia, estou chamando
aquele sistema em quem, em “condições
normais de temperatura e pressão”, uma pessoa
que tem mais conhecimento, mais estudo, mais certificados que atestem a sua
capacidade técnica e qualificação profissional se destaca mais que uma outra que não os tem – ou que tem em menor
quantidade. Isso pode ser comprovado pela exigência quase unânime dos
currículos para contratação de novos funcionários, pelas seleções de estagiários,
trainees, empregos mesmo, cada vez mais rigorosas, cansativas e exigentes –
inglês fluente, informática, “quociente emocional”, desinibição, oratória,
autonomia textual e, óbvio, conhecimento da área.
Claro
que estou falando da regra. A exceção também existe, mas em menor quantidade.
Por exemplo: se você conhece o dono da empresa, ou se namora o executivo da
companhia, ou se tem um sobrenome tradicionalíssimo ou se
“conhece-alguém-que-conhece-alguém-que-conhece-o-manda-chuva” aí não precisa de
currículo, aí você se basta.
Mas
não é assim que a sociedade se movimenta. Insisto: quando existe, isso é
exceção. Na imensa maioria dos casos, você terá que ralar muito, estudar noites
a fio, exaurir-se para ocupar o seu lugar ao sol. Se você teve a sorte de
nascer em uma família com recursos, que lhe dá a tranquilidade de poder apenas
estudar, seu caminho estará mais facilitado, pois eliminará a faina diária para
ter que juntar reais para pagar seus boletos além de estudar nas “horas vagas”.
Se você não teve esse “berço”, então se console e se fortaleça, pois a jornada
será bem mais hercúlea.
Virou
lugar comum se dizer que, no Brasil, quem se capacita ocupa melhores postos no
mercado de trabalho. Todos os dias a mídia noticia isso. Ainda bem. Para um
país que está em processo de desenvolvimento, isso soa até bastante pedagógico.
E
aqui entra o papel da Universidade. Há duas semanas, a Ufma fez as suas
cerimônias de colação de grau, na capital e nos campi do interior do estado.
Pude acompanhar, em Imperatriz, a cerimônia mais de perto, como dirigente da
instituição. É um momento único, para todos. Principalmente para quem está se
formando. No momento em que cada jovem sobe ao palco para receber o seu grau de
bacharel ou licenciado, uma mágica se efetiva: ele sobe como gerúndio
(“graduando”) e desce como particípio (“graduado”). É uma mudança de forma
verbal, mas também uma mudança de vida. E, quase sempre, para melhor.
Temos
acompanhado, nos sete anos que estamos na Ufma como docente, as verdadeiras
revoluções que o curso superior tem feito na vida de muitos desses jovens. Transformação
na forma de pensar, de agir, de enxergar o mundo a sua volta. Mudança na forma
de trabalhar, de fazer o que muitas vezes já faziam sem o diploma. Melhoria na
sua vida material: compra de bens de consumo, viagens, aquisição da casa
própria, compra do automóvel (moto, carro). Aumento do seu padrão de felicidade
geral. Sem o diploma de graduação, certamente muitos desses jovens estariam em
empregos no comércio ou mesmo desempregados, ganhando menos do que ganham ou
ganharão depois de formados.
Cito
como exemplo um caso de uma aluna de Jornalismo que formou recentemente. Vou
chamá-la de Vitória, para ficar no mesmo campo semântico. Pois bem. Quando
Vitória entrou no Curso, ela era bem jovem, cheia de sonhos e uma vida um pouco
difícil. Vitória começou o curso, mas teve que se afastar porque casou e
engravidou. Depois engravidou de novo. Num esforço imenso, ela voltou ao Curso
depois de quase dois anos longe. Como gostava da área e tinha talento (dois
aspectos fundamentais para definir o padrão de sucesso de um profissional, pois
o diploma, por si só, não faz milagre), Vitória retomou os estudos e,
esforçada, conseguiu um emprego na área. Depois conseguiu outro. Depois mais
outro. Por fim, Vitória se formou no último dia 23 de abril. A família vai bem,
ela e o marido trabalham e, de uma condição ruim, passaram para uma vida
melhor: já têm casa própria e agora têm carro e outros apetrechos. A renda
aumentou, as perspectivas de um futuro promissor também. E muito desse sucesso
Vitória deve à sua passagem pela Ufma e a tudo o que a universidade pôde (e
ainda vai poder) lhe proporcionar.
Há
outros exemplos. Em todos os lugares. Há milhares e milhares de Vitórias
espalhadas por este Brasilzão, nas cidades grandes e pequenas, do Oiapoque ao
Chuí. Pessoas que têm para contar histórias de transformação de vidas, que
tiveram a universidade como lugar de passagem. E essa é, entre outras, a função
do conhecimento. O conhecimento não só liberta da opressão, da ignorância. Ele
também liberta da pobreza.

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