LIVROS À MÃO CHEIA
Mês passado, encontrei uma livraria nova em São Luís. Achei
o nome sugestivo, o espaço bem localizado, a proposta escrita na parede
instigante. Enfim, só por ser uma livraria já valia a consideração. Fui
visitá-la. Era pouco depois de meio-dia. A livraria estava fechada para almoço.
Esse episódio, quase prosaico na capital do Maranhão, dá
bem a dimensão de como está o consumo de livros por essas bandas. Melhor do que
eu, quem fez um panorama desta situação foi, dias atrás, o professor Ed Wilson
Araújo, do Curso de Jornalismo da Ufma em São Luís, cujo resultado você pode
ler no blog dele (www.blogdoedwilson.blogospot.com).
E daí advém a importância da Feira do Livro de São Luís,
que começou na última sexta-feira (27). Evento anual, a feira faz uma tentativa
de, ao mesmo tempo, servir de um espaço para a aquisição de livros pelos
leitores e de fomento à prática da leitura, por meio do contato com os autores,
palestras de sensibilização, oficinas de criatividade, espetáculos. Uma
trincheira.
É um momento importante. Mas, por si só, não cria uma
cultura do consumo sistemático de livros – não cria leitores profissionais,
numa expressão de síntese. É preciso mais.
É preciso efetivar uma autêntica política de consolidação
da leitura e do livro na cultura da cidade. Como se faz isso? Pelo costume,
pelo fomento à prática da leitura no dia a dia, pelo incentivo à criação de
novos espaços para a comercialização de livros, que não sejam apenas as
livrarias (poucas, aliás), pela valorização dos leitores, sobretudo os pequenos.
Livros em terminal de integração, por exemplo. Livros no Aeroporto. Livros na
Rodoviária. Uma livraria na Praia Grande – uma grande livraria vendendo livros
mais baratos. Concursos de leitura. Bibliotecas comunitárias.
Precisa também cuidar das bibliotecas. Elas ainda
existem? Onde fica a biblioteca central do Município? A Biblioteca Pública
Benedito Leite reabriu, recentemente, depois de um bom tempo fechada para reforma.
Existe alguma ação de incremento dos seus usuários? Campanhas de visitação de
escolas? Concursos de leitores? Eventos? Quantas bibliotecas na rede municipal
de ensino existem espalhadas por bairros pobres (onde estudam os filhos dos
pais que não podem pagar uma escola particular, essas sim, com uma biblioteca
com livros – às vezes, sem nenhum registro de leitor na ficha)?
Um dia desses, fui a uma loja de artigos maranhenses, na
Praia Grande. Cheguei lá e me deparei com a seguinte promoção: 35 livros de
autores maranhenses por R$ 50,00. Eram obras premiadas pelos concursos
culturais, tanto da Secma quanto da Fumc. O cara estava, literalmente,
desencalhando o estoque. Nomes como Nauro Machado, Arlete Nogueira da Cruz,
Ricardo Leão, Ubiratan Teixeira, José Chagas, e novos e desconhecidos, estavam
todos lá. Por menos de R$ 2,00, se levasse todos. Comprei, com um misto de
alegria e tristeza. Vocês podem entender por que.
A cidade precisa de uma política de valorização da
leitura como produto, como fonte de conhecimento, como entretenimento, como
canal de sucesso pessoal, profissional, como repositório de bênçãos e graças. Uma
política de valorização cotidiana do livro, seja qual for o seu suporte. Para
fazer valerem as próximas feiras dos livros. Para evitar que as livrarias fechem
para almoço.

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