LEITURA E O BEM QUE ELA FAZ
Gosto de ler. E isso vem de longo tempo. Lembro de, na infância, sentar
na calçada com pilhas de revistas Mônica e ler, uma a uma, horas a fio. Ou
então, de ler os contos de fadas daquelas coleções que os vendedores iam
oferecer a papai, lá no comércio, e ele, invariavelmente, comprava. Papai teve
poucos estudos, como muitos pais da minha geração. Mas tinha um enorme prazer
em comprar livros para os filhos, como a querer dizer a nós que era a nossa
herança. Acertou!
Leio sempre, todos os dias, onde quer que esteja. Uma vez, li um texto do
Frei Betto, intitulado "O trabalhador que gostava de ler". Era o
relato de uma experiência dele num desses muitos assentamentos do MST,
para ao quais ia como assessor do movimento. Um dos trechos do texto dizia que,
para a gente aumentar o volume de leitura, deve andar sempre com um livro e
abri-lo quando der. É o que faço em todos os lugares: na fila do banco, nos
consultórios, nas viagens, em casa, onde quer que eu tenha um naco de tempo
ocioso.
Ler é uma opção bastante particular. Ler a gente não ensina nem ajuda
ninguém a fazer. A gente, quando muito, dá o exemplo. E é por isso que os pais
têm um papel tão fundamental no processo de formação dos filhos como leitores:
ler para eles, ler com eles, ler na frente deles, ler como exemplo a ser
seguido por eles. Uma criança que cresce presenciando a relação (prazerosa) dos
pais com a leitura dificilmente terá, quando jovem ou adulto, uma postura de
que a leitura é obrigação, é fardo, ou é “aquela atividade chata que a
professora passou para fazer trabalho.”
Sempre acreditei que a pessoa que lê com mais frequência, que faz da
leitura um hábito tem um ganho maior na vida, em todos os aspectos: adquire um
vocabulário mais amplo, complexo e diversificado; apreende as estruturas da
língua – das mais simples às mais rebuscadas; aprende a entabular raciocínios
lógicos; adquire poder de argumentação; pode alcançar um melhor papel social e,
por extensão, tem a possibilidade de melhorar, material e substancialmente, de
vida. Tudo isso sem falar na fruição estética e no prazer/passatempo que uma boa
leitura proporciona – seja ela qual for, sem patrulhamentos...
Quem lê nunca perde o seu tempo.
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