GABRIEL, QUE GOSTAVA DE LIVROS
Era nas madrugadas que Gabriel se embrenhava pelas páginas
dos livros. Em pouco tempo, já tinha uma boa ‘biblioteca de lidos’. Foi depois
que Aline o deixou que ele começou a gostar realmente de ler, a buscar os
livros por conta própria.
Aline ele conheceu na academia mesmo. Ela foi lá para curar
um cansaço repentino. O médico receitou que fizesse exercícios leves. “Esteira
e bicicleta já é bom”, disse o doutor.
Leitora voraz. Linda e leitora. Leitora e linda. Ficava na
bicicleta com um livro na mão. Ficava na esteira com um livro na mão. Só
largava o livro pra fazer o alongamento.
Gabriel olhou aquela menina moreninha, falsa magra, de calça
legging azul e blusa branca, com um livro na mão, e ficou admirado. Nunca tinha
visto ninguém na academia carregando nada que não fossem as garrafinhas de água
ou os headphones enormes. Ou os celulares para as fotos de espelho. Foi se
aproximando, se aproximando, puxando conversa.
Em um mês de treinamento nos mesmos horários, estavam
namorando. E ficaram namorando por uns quatro, cinco meses, entre equipamentos
de ginástica e estantes de livrarias. Com Gabriel, Aline conheceu o poder de
outros equipamentos daquela academia, que ela nunca tinha notado. Com Aline, Gabriel
ouviu falar de Drummond, Quintana, Vargas Llosa. E tomou contato com eles; primeiro
histórias curtas, contos e novelas. Depois, romance. Por último, um livrinho de
poemas singelos do Quintana.
Mas o romance foi pro brejo, quando Aline entrou na faculdade
e conheceu um colega de turma mais parecido com ela. E, afinal, já estava
sarada do cansaço. De Gabriel, ficou e consciência do cuidado com o corpo, com
a saúde. E muitos amassos no carro dos pais dele, depois da academia, onde
desse. De Aline, ficaram os livros oferecidos nas primeiras páginas para o
amado.
E ficou a semente da paixão pelos livros. Era ela que fazia
Gabriel varar as madrugadas, na delicadeza das narrativas dos autores que,
agora, ele mesmo buscava nas bibliotecas, comprava, pedia emprestado. Ele nunca
soube ao certo se a paixão pelos livros era uma forma de jamais esquecer Aline
ou apenas uma vontade de viver tudo aquilo, tão belo e tão real, que os livros
traziam.

Muito bom. Amei!
ResponderExcluirMuito bom. Amei!
ResponderExcluirShow
ResponderExcluirAdorei e seu blog instigou-me a voltar a escrever. Parabéns, sempre.
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