O PEDIDO
...e foi aí que ele fez o pedido...
(Três anos já. Ela, no fundo, nem tinha mais esperanças de que ele, um
dia, fizesse esse bendito pedido.
No início, muita intensidade, muitos beijos, abraços e amassos, muita
união, muita cumplicidade. Sempre juntos, sempre. Dois meses depois de
começarem, já viajavam juntos. E foram muitas viagens, na moto dele, 250
cilindradas. “Capacete, jaqueta e asfalto, de salto alto”, era a frase dela no
perfil do Facebook. Foram a todos os recantos turísticos do estado e se
arriscaram em viagens mais longas, em que precisavam dormir pela estrada.
Muitas fotos dos lugares, muitas declarações de amor estrada afora.
Mas aí veio o acidente. E ele saiu do hospital meio estranho. Ficou
retraído, vendeu a moto, conversava pouco com ela. Quase não queria mais sexo.
Perdeu o emprego, ficou deprimido. Uns dois anos vivendo um período de crises.
Ela ali, segurando, sendo compreensiva, companheira. Não ligava se as viagens
não existissem mais. Queria o seu homem de volta, como antes, a pé, de ônibus
ou de carro. “Em nova fase, sem duas rodas”, ela botou no perfil.
Começou a fazer terapia, estava com a cabeça embaralhada. A crise pela
falta de emprego piorou o relacionamento. Agora ela pagava o analista e comprava
os remédios dele, e eram muitos. Para os nervos, para a depressão, para a dor
nas costas que ficou do acidente, para o coração que sentiu o baque e começou a
descompassar... “Segura na mão de Deus e vai”, ela escreveu no perfil, depois
de se converter numa campanha missionária.
Saiu da crise, depois do segundo ano de tratamento. “Joelho no chão”, ela
acreditava que tinha sido isso mesmo e dava o testemunho. No dia em que ele
completou 35 anos, ela fez um bolo e
organizou numa festa surpresa. O presente veio na forma de uma proposta de
emprego do cunhado. Ia ser supervisor de uma fábrica de bicicletas. Aceitou,
com lágrimas nos olhos. E disse pra todos ouvirem que a amava, que tinha
resistido por causa dela. “Você nunca desistiu de mim, amor. Obrigado por
tudo!”. Nessa hora, ela pôs as mãos fechadas sobre o peito e disse “eu te amo”
apenas pra ele ouvir.
Ele fez o pedido depois de seis
meses no novo emprego. Estava bem, disposto e alegre. Voltou a ser o mesmo de
antes, ela achava, com pequenas ressalvas. A vida iria, enfim, continuar. “Deus
é fiel”, ela pôs no perfil).
...e aí, ela aceitou.

Hum... São tão raras essas mulheres!!
ResponderExcluirQue historia linda!
ResponderExcluirÉ assim que tem que ser.