SUA COMUNICAÇÃO É SUA IMAGEM
Uma conhecida marca de refrigerante,
algum tempo atrás, para lançar o guaraná
da sua linha de produtos e, ao mesmo tempo, minar o terreno do concorrente, já
bastante conhecido, saiu com um comercial que tinha como mote a frase: “Imagem
não é nada. Sede é tudo”. Lembram? Pois é, como artifício de publicidade, esse
slogan até que poderia valer, mas na sociedade real (?) destes tempos de novo
século, cada vez mais, a imagem é tudo – e o resto é o resto.
A pós-modernidade nos legou uma Sociedade do Simulacro. E o resultado
prático disso é que do “somos quem podemos ser” migramos para o
“somos quem parecemos ser”.
Sabendo disso, é que me ocupo de
alertar aos desavisados. Cuidem da sua imagem total, construam para vocês uma
aparência de positividade – claro que essa aparência deve fazer jus a sua
essência, senão não se sustenta por muito tempo.
Essa preocupação com a construção da
imagem positiva deve expandir-se também para o campo da sua comunicação, uma
área que, apesar de hipervalorizada hoje é, contraditoriamente à sua
importância, muito pouco cuidada. São frequentes os casos de pessoas bem
nascidas, bem sucedidas, bem vestidas, bem colocadas na pirâmide socioeconômica
que não transportam essa imagem de sucesso para a qualidade da comunicação que
efetivam.
Muita gente vem percebendo essa
necessidade e “correndo atrás do prejuízo”. Executivos fazem cursos de redação,
políticos contratam mediatrainers, profissionais correm para as bancas
de revista atrás dos livrinhos do Pasquale etc. Com a sociedade cada vez mais
global, em que as comunicações face a face estão sendo substituídas pela
comunicação a distância (mesmo que essa distância seja uma divisória de
escritório), esse cuidado com a identidade
comunicativa tende a ser cada
vez mais sistemático.
Já é fato que, em muitas empresas de
recursos humanos, um dos principais instrumentos de avaliação da competência
dos futuros empregados é a tal redação. É nessa hora que você precisa
apresentar uma imagem positiva, pois de nada valerá o seu tailleur
chique, seu terno bem alinhado, sua escova, seus dentes recém-branqueados se
você não souber, na redação, expressar-se com clareza, elaborar um texto
coerente, demonstrar que possui informações atualizadas sobre o mercosul,
colocar bem as concordâncias, as regências, conjugar corretamente o verbo no
pretérito imperfeito do subjuntivo.
Em tempos de internet e redes
sociais, a preocupação com a qualidade do seu texto (sobretudo o que circula
pelos e-mails, Facebook, Twitter) deve ser maior. Antes da internet, quando
você escrevia uma carta comercial com uma vírgula mal empregada, o erro tinha
uma possibilidade de incomodar somente ao destinatário dela. Agora é diferente:
se você, por exemplo, me envia uma dessas cartas e eu, por acaso, gosto do conteúdo e
quero compartilhar com a minha lista de endereços, na minha página, basta um clique para que cem, duzentas ou mais
pessoas a recebam em questão de minutos... e aí lá vai aquela sua vírgula
separando sujeito de predicado correr o mundo. Sabe lá Deus quem terá acesso ao
seu texto. E já pensou se, para sua infelicidade, o seu chefe (que é craque em
redação) fizer parte da minha lista ou rede? Nem adianta pôr a culpa no famoso
“erro de digitação”.
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